2009/11/28

Porque Hoje é Sábado

Deve ter sido para aí em 1995 ou 96. Tinha para fazer uns duratrans (aquelas transparências que ficam nas paredes, iluminadas por trás, como nos restaurantes de fast food), para um cliente que ia abrir uma loja de sopas. Só sopas, caseiras e com um belíssimo aspecto.
O trabalho correu bem. Das 12 ou 13 fotos, o cliente não gostou de duas fotografias. Explicou-me por que razão não gostava delas: a sopa era mais bonita do que na foto. Nas fotos, naquelas duas, «as sopas não tinham grande aspecto». Eu olhei para as fotos e achei que ele tinha razão. Não estavam boas. Ele não entendia nada de fotografia, e nem precisava, só não gostava das fotos. Entre desculpas, tipo «não leve a mal», «o trabalho está bom», ensinou-me, em poucos minutos, que a fotografia que ele queria tinha de ser «credível, senão não vendo as sopas... diga lá se a foto faz justiça à sopa...».

Vi o pior filme português desde que vou ao cinema. Contra esta minha opinião tenho que não entendo nada de cinema, e talvez assista a poucos filmes portugueses.
Uma coisa é certa, este filme que vi lembrou-me a foto da sopa: não dizia nada a quem olhasse para ela. Desconfio que não há nada a fazer. É que eu tinha a sopa (linda) para poder fotografar de novo, mas neste filme o realizador não tem nada para nos dizer... podia filmar isto vezes sem conta. O que me deixa aqui a pensar que teria sido melhor não o ter feito.
Não entendo nada de cinema. Mas aprendi, há uns anos, como fotografar uma sopa - sem credibilidade, nada feito.

2009/11/26

Garça-boeira








2009/11/25

Wild Wonders of Europe



Para quem ainda não espreitou, vale bem a pena ver o trabalho dos fotógrafos

Luís F. Quinta e Nuno Sá

2009/11/24

Águia-pesqueira








2009/11/23

Folclore

Quase que não resistia à tentação de brincar com este Dia de Sta. Luzia...

(a M. e o E. podem contar comigo nessa data:)

Lido (este Barthes é muito subtil)

«Que penso do amor? - Em suma, nada penso. Gostaria de saber o que é, mas, estando nele embrenhado, vejo-o em existência, não em essência. (...) Assim, por mais que discorra sobre o amor ao longo do ano, apenas poderia ter a esperança de agarrar o conceito "pela cauda (...) "» Roland Barthes, Fragmentos de um discurso amoroso

2009/11/21

Porque Hoje é Sábado

Fugir obrigatoriamente às ditas regras não é, na minha opinião, sinónimo de originalidade. Bem pelo contrário, começa a ser uma enfadonha regra que, na maioria dos casos, é responsável pelo nascimento de uma grande quantidade de "salchichas".

P.S - A propósito de um comentário que recebi por email, deixo mais uma consideração:
Caro anónimo (e não és tu, o anónimo que conheço:), eu não entendo nada de Arte, muito menos tenho a pretensão de ser capaz de a reconhecer. O que não me impede de dar algumas opiniões sobre aquilo que sinto (o que, parece-me, se acontecesse com alguns desses produtores de salchichas, não surgiriam tantas fotocópias). De qualquer forma, há uma coisa, sobre estas coisas que o homem faz, que aprendi há muito tempo. E olhe que, num sentido mais abrangente, tem vindo a mostrar-se útil na minha vida: o que é convencionado ser arte, ao longo do tempo, é quase sempre alterado uma e outra vez pela verdadeira arte - que eu, confirmo-lhe, não faço ideia do que é.. Entenda lá isso como quiser. Ainda por cima, hoje já é Domingo.

2009/11/20

A Corja!*




O mais certo é que toda a gente esteja a par desta situação. Eu é que, como sempre, ando distraído.


Nunca fui de ligar muito a essas cenas dos tarifários, dos descontos e dos «fale a dobrar». Assim, tenho netcabo há uns anos, com o mesmo tarifário que me foi sendo actualizado, e a rede que utilizo no telemóvel, também há uns anos, é da Vodafone. No início do ano comprei uma pen que, segundo a Vodafone, me permitiria velocidades de, na internet móvel, «até 7,2Mbps».

Na realidade, já que mais uma vez andei distraído, só prestei atenção às velocidades nos 2 ou 3 primeiros dias. Não muito satisfeito, já que nunca, em nenhum local onde experimentei, passou dos 1100, 1200Kbs, sendo estes os valores máximos, telefonei para a Vodafone, numa tentativa de saber o que se passava. Eu sabia que me iam falar do «até», não podiam ter outro argumento. E assim foi. Como precisava mesmo da internet móvel, acabei por continuar a utilizar o serviço. Passaram largos meses e as velocidades permaneceram entre os 200 e os 1200Kbps. Noutro dia, ao ver um desses panfletos de publicidade da Vodafone, reparei num tarifário de «até 3,6Mbps», consideravelmente mais barato. Como até eu consegui fazer estas contas, pensei: bem, se tenho sempre perto de 1000Kbps, vou mudar para um tarifário de «até 3600Kbps». Pareceu-me, e continua a parecer-me lógico. Pois, nada feito. Fui informado pela Vodafone que, se optasse por um tarifário de «até 3600Kbps», a minha velocidade, os tais 1100 ou 1200Kbps, passariam para «cerca de 300 ou 400Kbps», pois só pagando o tarifário «até 7200Kbps» me forneceriam os tais 1000Kbps.

E não digo mais nada.

* A Corja! é o nome de uma publicação de 1898. Um semanário de caricaturas de Leal da Câmara, de onde foi retirada também a ilustração. A Casa-Museu Leal da Câmara foi um dos primeiros museus que visitei, com o meu avô materno, devia ter uns dez anos, pois é próximo da casa dos meus pais. Que razão tinha ele quando dizia que aqueles desenhos nunca ficariam datados.

2009/11/19

Lobo-ibérico (CRLI)







A foto que viste foi esta. Ainda bem que me falaste dela; é um diapositivo que não via há alguns anos.  Estava na capa da revista WolfPrint - The magazine of TheUK Wolf Conservation Trust. Foi tirada no Inverno de 2003. Claro que a podes utilizar. Vê lá é se os miúdos não se cansam de tantos lobos. Envio-te um pdf da revista. Tem artigos da Clara Espírito-Santo, Clara Grilo, Francisco Álvares, Francisco Petrucci-Fonseca, Helena Rio-Maior, Pedro Primavera e Sara Roque. De qualquer forma, com as tuas buscas na net, já deves ter este material. Deixo-te também uma foto mais recente, que não vou utilizar.

Ortografia

Eu cometo alguns erros ortográficos. Ainda há dias escrevi «acertivo». Hoje tive uma falha na pontuação, mas esta até calhou bem. Ficou então assim:

«(...) toma lá, parte da minha vida... mas já não é editada há algum tempo.»

2009/11/18

Animação_teste



Bem, vamos lá ver se consigo explicar. A ideia é que a animação inicie um movimento do céu, só do céu, circular, utilizando as linhas que já lá estão. De seguida, esse movimento separa-se em 5 ou 6 movimentos independentes, como se fossem 5 ou 6 espirais. Tipo «Starry Night». Sei que vais fazer isto a brincar...

2009/11/17

Paganismo



«água que alivia, terra que redime»

2009/11/16

Lido

«Julgo que o Jornalista mais do que objectivo deve ser coerente. A coerência atinge-se ao assumir a subjectividade.»
Comentário anónimo (ou quase)

2009/11/15

As opiniões no jornalismo

(Miguel,
é este o documento. Está disponível na net. De qualquer forma, deixo aqui uma parte que vai de encontro ao que falámos. Os destaques são meus.)

«O artigo de opinião, na sua laboriosa estrutura argumentativa, “tende [tal como o discurso político] a operar directamente sobre a realidade para a modificar, através do seu influxo sobre a opinião pública (…).”O jornalismo de opinião é um género discursivo a quem é consentida, em relação ao jornalismo informativo, uma maior liberdade de criação e o uso de recursos estilísticos mais ricos, devidos a quem tem por função argumentar e discorrer responsavelmente, por certo, mas mesmo assim, ad libitum. Em todo o caso, como nos lembra Ayala, todos os géneros jornalísticos partilham de um mesmo ‘preceito retórico’, a concisão que se justifica por limitações de espaço disponível mas também pela procura de eficácia de discurso que, por ser escrito para ser lido, faz do raciocínio a sua virtude.
No género editorial ganha particular eficácia a prova técnica do ethos de quem subscreve o artigo ou editorial. E porque o ethos é construído de cada vez que alguém fala ou escreve, é importante verificar quais são os ‘topoi’ de que parte o sujeito de enunciação para construir o artigo, como faz ele a hierarquização dos valores e quais as premissas de que parte para fundar a sua argumentação.»

(...)

«Tal como o jornalismo de opinião, também o jornalismo informativo tem compromisso com a retórica. De facto, tal como o jornalismo de opinião, o jornalismo informativo pode, pela sua própria eficácia performativa, “contribuir também de maneira directa para modificar a realidade.” O jornalismo informativo tem um lugar importante na formação de uma opinião pública esclarecida, capaz de assumir o seu lugar e função na tomada de decisões colectivas. É atendendo a isso que o nosso ordenamento jurídico outorga aos órgãos de comunicação social o “cumprimento de um interesse público relevante”.
Patrick Charaudeau refere que “o objectivo da informação consiste em transmitir ao outro, o cidadão, um saber que é suposto ele ignorar. Mas para que este acto seja justificado, é preciso que o saber em questão possa ser reconhecido como verdadeiro. O objectivo da informação obriga a dizer o verdadeiro [que, diz ele] repousa tanto sobre a descrição dos factos como sobre os seus comentários.” A intencionalidade presente nas práticas do agendamento, na construção do título e da notícia são porventura os melhores indicadores para avaliar critica e reflexivamente se o jornalismo informativo que nos é servido cumpre ou não este “objectivo democrático de informar” comprometido com a verdade. Percebe-se bem que um “fazer saber austero” dispensa o jornalismo informativo de grandes recursos oratórios. A ele se aplica, com mais propriedade do que a qualquer outro género, o “preceito retórico da concisão” que se manifesta numa escrita escorreita e breve que reporte o mais fiel e objectivamente possível a realidade percepcionada. Ao “preceito retórico da concisão” vem juntar-se dois outros preceitos relativos às ‘exigências particulares da prosa informativa’: o preceito da clareza e o da necessidade de atrair e fixar a atenção dos leitores.

De facto, o jornalismo informativo esforça-se por recobrir uma grande diversidade de temas, na preocupação de ‘captar’ a heterogeneidade dos públicos, com os seus diferenciados níveis de exigência e de curiosidade. Mas, por via desta ‘intenção utilitária’, própria de quem presta um serviço em troca de algo, mesmo quando presta um ‘relevante serviço de interesse público’, “a retórica do jornalismo informativo aproxima-se [segundo Ayala] da técnica publicitária e do anúncio mercantil.” Sustenta o autor que a notícia, tal como o anúncio, procura exercer influência sobre o ânimo do leitor e, neste sentido, a notícia é “de algum modo tendenciosa” e manifesta a antiga vocação da imprensa como veículo de opiniãoHermenegildo Ferreira Borges, Espaço público e ‘retórica do jornalismo’

2009/11/14

Salvar o Natal

Fiquei agora a saber que, para salvar o Natal, devemos fazer compras num supermercado. Estas festas pagãs vão de mal a pior.

Fotografia Documental



«The heart of documentary is not form or style or medium, but always content» William Sott, Documentary Expression and Thirties America

A linha que separa (se essa separação existe mesmo) a fotografia documental do fotojornalismo é muito ténue. Em ambas, documental ou fotografia de notícias, a matéria que mais me fascina é a objectividade: o impor um significado e não criar um. Em relação a esse problema tenho andado aqui a pensar na utilização da minha objectiva com uma distância focal de 20mm. Se sempre ouvi dizer que as "objectivas pequenas" permitem trabalhar muito próximo do objecto - o que é verdade - também me parece que a utilização excessiva destas objectivas são uma forma de obter as parangonas da reportagem fotográfica. E, como no texto, também na fotografia, quase sempre, a imagem resultante possui um objectividade duvidosa. Abre bem uma reportagem, "enche o olho", mas o tal trabalho de proximidade tende a modificar o decorrer normal da situação que fotografamos - começa, penso eu, por facilitar a representação.

De facto, a maioria das reportagens fotográficas - com ou sem 20mm - está longe de ser uma transcrição* do real, mas muito próxima de uma construção daquilo que queremos mostrar ou, melhor, daquilo que nos quiseram "dar". Em último caso, na fotografia documental, teria de se conseguir uma forma de obter consentimento das pessoas a fotografar, mas sem elas saberem - o que não me parece ser possível. De outra forma, vou sempre pensar: o que raio estou eu a documentar?

*P.S - Tinha deixado em itálico mas fica aqui o esclarecimento, apesar de me parecer claro. Utilizei este termo no sentido de "espelho" do real. Não me referindo, obviamente, à transcrição das imagens (luz) para a película, no analógico, que dá lugar a uma conversão (para números) no digital. 

2009/11/12

RNET









Acho engraçado este sistema de rega por pivot. Tenho-me divertido a fotografá-los com algumas aves por perto. No entanto, de tão fotografados, acaba por ser quase como arranjar um ângulo diferente da Torre Eiffel.